|
VERGÍLIO CORREIA, OUTRA VEZ
No “Notícias do Douro” de 9-7-2010 recordamos Vergílio Correia, natural do Peso da Régua. Esboçamos um breve perfil do Historiador de Arte e do Arqueólogo baseado nos testemunhos de notáveis académicos que estudam a sua obra. Chamamos a atenção para o alto grau que atingiu como investigador e professor na Universidade de Coimbra e tentamos dar a conhecer os pedestais onde foi incensado, sublinhando a sua projecção internacional. Vale a pena, à Régua, redescobrir e reconhecer os seus Homens Ilustres, para servirem de exemplo às gerações futuras. A Régua não possui monumentos em quantidade, mas, é certo que nela nasceu ou viveu gente de elevado mérito: no jornalismo, no associativismo, na academia, nas artes e nas letras. Demos um exemplo. Hoje, o Peso da Régua já faz uma ideia de quem foi Maximiano Lemos. Porquê? Porque em 1925 atribuíu o seu nome à antiga Rua de Medreiros e em 1960 assinalou a passagem do 1º Centenário do nascimento com um busto no Hospital e outro na Associação dos Bombeiros. É sabido que Maximiano residiu e trabalhou no Porto, quase toda a sua vida. Mas, foi um erudito que prestigiou o nosso País e, por via disso, a sua terra natal. Daí que os reguenses de 1925 e os de 1960, se empenhassem em homenagear e comemorar a memória da sua pessoa. Nesta época global e perante a crise dos valores que lhe anda associada, é indispensável o diálogo entre gerações. Para quê? Para permitir a transmissão, dos mais velhos para os mais novos, dos valores e referências que são o berço da nossa civilização. À luz dos novíssimos tempos, o tradicional está a diluir-se, havendo quem julgue arcaica a mentalidade das gerações anteriores. Se a sociedade menosprezar a identidade, a memória e as grandes referências, não nos devem surpreender as crises. Em consequência, as novas gerações têm mais probabilidade de se afundar nos dramas quotidianos, pois não estão preparadas para resistir. À menor contrariedade, tudo parece desabar…Ora, os valores familiares, morais, sociais e culturais dão resistência psicológica, solidez ao carácter e preparam o Homem para a resolução positiva dos problemas pessoais e colectivos. Devemos integrar a contemporaneidade e aceitar o avanço tecnológico Mas é inaceitável renegar a herança que nos legaram antepassados próximos e remotos. Voltemos, porém, ao título do texto. Acresce que Vergílio Correia foi um modelo de humildade, de bondade e de tenacidade. Quem nos garante essa humildade é João de Araújo Correia, que o conheceu e com ele conviveu, dando-nos um testemunho insuspeito no seu livro “Três Meses de Inferno”: “Homem cumulado de veneras, dignidades, o Vergílio Correia apagava-se diante de toda a gente para ocupar o último lugar”. Quem nos afiança a sua bondade é, ainda, o escritor reguense, no citado livro: “Mais do que a inteligência, o saber, a probidade científica, foi descomunal, na minha opinião, a bondade de Vergílio. Não dizia que não a ninguém. Dava a camisa a quem tivesse mais enxoval do que ele. Foi homem feito para dar como se fosse santo”. A capacidade de trabalho e a tenacidade do erudito Vergílio Correia são demonstradas por uma obra imensa e por investigadores que continuam a estudar os seus trabalhos científicos. A memória deste Reguense Distinto contribui, sem dúvida, para o diálogo intergeracional neste tempo da globalização. Homenagear Vergílio Correia com um busto na Rotunda da Praça do Município ou Rotunda dos Bombeiros, na Régua, tem pertinência e revela gratidão.
P. R., 25 de Julho de 2010 M. J. Martins de Freitas, Dr.
|